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#3/Psilocibina. O 'reset'​ da humanidade?


© Jeremy Pawlowski / Stocksy United


Esta edição, preparada por nosso colaborador convidado Marcelo Villaça, tem como foco principal dar continuidade à nossa edição de março, que abordava as plantas de poder no desenvolvimento e cura humanas, como a Ayahuasca.

Villaça, de forma objetiva e abrangente, aborda um histórico fundamental para o entendimento da evolução de nossa relação humana com os cogumelos mágicos e claro, porque os chamamos desta forma.

Recentemente, o Professor Robin Carhart-Harris, do Imperial College London (mencionado abaixo), conduziu pesquisa com a psilocibina, substância presente nos cogumelos e afirma — "Nós demonstramos pela primeira vez mudanças claras na atividade cerebral de pessoas com depressão tratadas com psilocibina — Muitos dos nossos pacientes disseram se sentir “resetados” após o tratamento, usando analogias dos computadores. Por exemplo, um disse sentir como se o cérebro tivesse sido “desfragmentado” como um disco rígido, e outro disse se sentir “reinicializado”.

A psilocibina talvez esteja dando a esses indivíduos o pontapé inicial que precisam para se livrarem do estado depressivo.

Boa leitura e que o Flow esteja com você.

Cadu Lemos


Robin Carhart-Harris


Introdução

Há um aspecto subjetivo quando os eventos aqui selecionados são qualificados como “marcos”. Outros articulistas, talvez tenham um critério mais elaborado para a definição de um “marco”, que possa levar a seleção de diferentes episódios e evidências para organizar a sequência histórica dos eventos psicodélicos. Fui menos criterioso quanto a esta definição e dentre as diferentes fontes bibliográficas que citam extratos da história dos eventos psicodélicos, procurei utilizar a cronologia criada e mantida por Tom Frame, um psicanalista contemporâneo de alguns dos agentes da “renascença psicodélica” que estamos vivendo.

Os relatos e evidencias de consumo de psicodélicos, remontam ao menos sete mil anos, em registros colhidos praticamente em todos os seis continentes. Ao que parece o consumo de psicodélicos nunca esteve restrito ao ser humano, sendo também observado entre animais que em fases distintas do respectivo ciclo de vida, fazem uso de psicodélicos encontrados na natureza.

Povos nativos das Américas de norte ao sul, além da Europa, África e Ásia, consomem psicodélicos na forma de bebida, comida, inalado, pasta aplicada a gengiva, colírio... encontrados entre outros no: peyote, cebil (Anadenanthera colubrine), cactos de San Pedro, “vinho de ololiuqui” (Turbin corymbosa), Cohoba/yopo (Anadenanthera peregrina), Salvia (Sylva Hercynica); Amanita Muscaria (recomendada como substituto do vinho durante uma queda na produção Italiana em 1880), yopo (Anadenanthera peregrine); raiz de iboga; Ayuhasca, Psilocibina (entre outras espécies de “cogumelos mágicos”); veneno do sapo do deserto de Sonora no México (Bufo alvarius), entre outros.



A motivação histórica para o uso entre os humanos, parece estar ligada a combinação da percepção de um estado expandido de cognição, e sua relação com aspectos religiosos. Quanto ao momento no ciclo de vida, apesar da incerteza, é possível que em algumas sociedades o consumo estivesse ligado a necessidade de transcender ao que conhecemos (consciente), uma situação mais perceptível nas sociedades mais antigas, provavelmente nos respectivos ritos de passagem.

Textos Vedas de 1.700 a.C, alguns dos documentos mais antigos da literatura Hindu, descrevem o uso do “Soma”, na forma de uma bebida que personifica o Deus dos Deuses, usada durante as oferendas e sacrifícios em rituais religiosos. Evidências e estudos apontam para a conclusão de que “planta” da qual se extrai o “Soma”, seria o cogumelo Amaanita Muscaria ou até mesmo o Psilocybe Cubensis.

Há evidências de que na Grécia dos séculos XIV a IX a.C. o Ergot, a evolução de um fungo que data de mais de 100 milhões de anos, era usado no preparo da poção Kykeon. Uma bebida consumida no clímax das cerimonias do “Mistérios de Elêusis” que era um componente psicoativo destinado a promover os estados “revelatórios da mente”, com profundas ramificações espirituais e intelectuais nos oráculos.



Estes são breves relatos de que há milhares de anos, culturas de todo o globo tem buscado nos psicodélicos uma forma de expandir a mente e trazer para o consciente ao menos parte das conexões que temos naturalmente adormecidas dentro de nós. Os estudos com viés “científico” como conhecemos no ocidente após o sec. XIX/XX, aos poucos trouxeram luz quanto aos benefícios médicos e, em menor escala, citam a habilitação de capacidades físicas menos usuais no dia a dia do ser humano (ex: cognitivas, telepáticas, premonitórias).

A evolução destes estudos, permitiu na década de 1920, o início da descoberta dos neurotransmissores (acetilcolina), levando para um novo patamar o conhecimento sobre o funcionamento químico e mecânico do cérebro e seus desdobramentos psicológicos. Foram estas descobertas que levaram Aldous Huxley a cunhar o termo “psicodélico” em alusão a “mente que se manifesta”, e em substituição ao termo “alucinógeno”, cujo significado mais restrito era usado até então.

A síntese do LSD em 1938 e o 19 de Abril de 1943 (dia da bicicleta de Albert Hofmann após 250mg de LSD, veja aqui), são portanto uma evolução quase natural de milhares de anos de “conhecimento” e uso de psicodélicos.

A ciência ocidental foi buscar além das suas fronteiras geográficas e culturais, a fonte do conhecimento sobre a mente e a sua relação com o aspecto mais físico do cérebro. A princípio, a ciência ocidental e seu foco na doença, alavancaram novos tratamentos de transtornos psicológicos, ao observarem os benefícios médicos dos psicodélicos.

Aos poucos, as sociedades onde a ciência promovia este avanço, foram buscar nas culturas contemporâneas do oriente a fonte de “tratar” a todos, e não só aos “doentes” do ocidente. “Set and Setting”, entre outros conceitos importantes, são então incorporados aos procedimentos de uso de psicodélicos, como foi estabelecido por Timothy Leary, Ralph Metzner e Richard Alpert no livro The Psychedelic Experience“ (baseado no “Livro do Mortos” do Budismo Tibetano ).

Esse movimento voltado ao oriente, facilitou o ambiente no qual gradualmente a fronteira entre pesquisa e busca de conhecimento extrapolaram os limites dos laboratórios, ultrapassando o desejo de curar a doença psicológica, almejando proporcionar a todos uma vida plena, segundo suas capacidades cognitivas e naturais.

Esse desejo explode em manifestações como o primeiro “Human Be-in” de 14 de Janeiro de 1967, no Golden Gate Park em San Francisco, quando Timothy Leary exorta a multidão a “turn on, tune in and drop out”, que Leary explicava como "Sintonizar", que significava interagir harmoniosamente com o mundo ao seu redor — exteriorizar, materializar, expressar suas novas perspectivas internas. "Desistir", que sugeria um processo ativo, seletivo e gracioso de desapego de compromissos involuntários ou inconscientes e "Cair fora", significando autoconfiança, uma descoberta da própria singularidade, um compromisso com a mobilidade, a escolha e a mudança.

Infelizmente, dito por ele mesmo em seu livro autobiográfico "Flashbacks", suas explicações sobre essa sequência de desenvolvimento pessoal foram mal interpretadas para significar "Fique chapado e abandone toda atividade construtiva" que coincidiu com a chegada de um verão explosivo que marcou o nascimento do movimento hippie, gerando desdobramentos que seguem ecoando até hoje nas sociedades, política e economias ocidentais.



A juventude foi a primeira a abraçar a “oportunidade” e aproveitar os desafios da passagem para a vida adulta como fonte inspiradora. De forma consciente ou “just for fun”, só de brincadeira, o fato é que esta provavelmente foi a primeira geração a incorrer em um rito de passagem no qual há uma descontinuidade em relação às duas gerações envolvidas. A transição deixa de estar sob o controle da geração anterior e os novos entrantes rejeitam a herança cultural que lhes é oferecida.

Este choque faz o pano de fundo dos eventos que culminam com a decretação do “The Controlled Substance Act” em 1970 nos EUA, que estabelecia cinco níveis de restrição e penalização para o cultivo, posse e consumo de psicodélicos. Coube ao LSD, psilocibina, mescalina, peyote, cannabis, MDA e DMT a classificação de “Schedule I” : “drogas sem uso médico atualmente aceito e um alto potencial de abuso”. A introdução da dimensão “potencial de abuso”, por razões não explícitas, deixou de fora o álcool e o fumo. Enfim....

Foram ao menos 20 anos, até que na década de 1990 o Dr. Rick Strassman iniciou cinco anos de pesquisa clínica aprovada pelo DEA (Drug Enforcement Agency, agência americana responsável por regulação e investigação de uso e tráfico de drogas), na Universidade do Novo México, administrando DMT em 60 voluntários. De forma discreta e menos errática, os anos que se seguem pontuam alguns movimentos promovidos pela iniciativa privada e a comunidade científica, que tiveram sucesso na retomada da pesquisa legalizada, com foco no uso medicinal dos psicodélicos. Os avanços seguem em uma espiral de resultados que mensuram os benefícios do tratamento com essas substâncias, ao mesmo tempo em que aprofundam o conhecimento da relação entre o físico e o potencialmente abstrato que é a mente.

Em Janeiro de 2001, o Dr. Marcus Raichle (Universidade de St Louis) descreve pela primeira vez a rede neural padrão o “default mode network” e em Abril de 2016 as primeiras imagens do cérebro humano sob efeito de LSD são publicadas pelo Dr. Robin Carhart- Harris, também no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences”. Os resultados indicam que o LSD suprime a rede neural padrão, ou o nosso 'piloto automático', propiciando um incremento brutal na comunicação entre áreas do cérebro que normalmente operam de forma segregada. Abrindo espaço para que mais pesquisas e estudos de psicologia concluam que, em condições favoráveis, isso possa levar as áreas do cérebro e respectivas sinapses envolvidas, ao que pode ser a “dissolução do ego”. Estes resultados operam como uma fonte de compreensão para o processo de maior sucesso na “cura” de alguns dos principais males que afetam a psique do ser humano na atualidade: Ansiedade, dependências, traumas e depressão.

O resto ainda não é história, pois estamos escrevendo todos juntos a cada dia, mas a mudança no arcabouço legal, reconhecendo alguns psicodélicos como verdadeiros avanços com forte capacidade de transformação eficaz nos tratamentos psicológicos, de forma rápida, duradoura e com resultados curadores mensuráveis, facilita a ação da iniciativa privada, que já se organiza ao redor da produção, protocolos de tratamento, infra estrutura, formação profissional, viabilização econômico financeira através do mercado de capitais.

Por exemplo, 03 de Março de 2020, a MindMed se torna a primeira empresa farmacêutica de psicodélicos a ser negociada em bolsa de valores, facilitando e impulsionando a liberação do uso (medicinal a princípio) de psicodélicos.



Um Breve Resumo da Cronologia do Psilocibina

A nossa expectativa com este texto é ratificar que os psicodélicos, particularmente aqueles cuja origem dos compostos é encontrada na natureza, como é o caso do psilocibina, são “conhecidos” do ser humano há milênios e que o estudo dos mesmos, segundo nossa formatação do que é ciência no conceito ocidental, veio corroborar o conhecimento histórico da contribuição positiva que os psicodélicos têm para a saúde psicológica do ser humano.

É sob este pano de fundo que destacamos a seguir alguns dos eventos que podem ser classificados como “marcos” da evolução do uso e conhecimento dos efeitos e benefícios da Psilocibina.

~5000 a.C

Afrescos de xamãs portando cogumelos são observados nas cavernas de Tassili (Argélia)



~4000 a.C

Em uma caverna na cidade de Villar del Humo (Espanha), o mural de Selva Pascuala retrata o que parece ser um cogumelo. Estas seriam as primeiras evidencias de uso de psicodélicos na Europa.




~1500 a.C

Estatuas de pedra descobertas em um sítio arqueológico na Guatemala, parecem indicar a existência de um culto sofisticado estabelecido ao redor dos “cogumelos”.



~1000 a.C

Próximo a margem leste do rio Pegtymel na Sibéria, petróglifos representando figuras antropomorfas com cogumelos em suas cabeças, indicam que a Amanita Muscaria era usada por povos da região.




Início do Sec. XVI

A estátua de Xochipilli, o Azteca “Principe das Flores”, foi descoberta nas encostas do vulcão Popocatepetl (Mexico), retratando um botão de sinicuiche (Heimia salicifolia), e Psilocybe aztecorum.

~1560

O padre espanhol Bernardino de Sahagún descreve em seu Florentine Codex o uso do peiote e do cogumelo teonanacatl pelos Astecas.



~1620

O termo “conscious” (consciente) aparece pela primeira vez em inglês no “The Oxford English Dictionary”. O termo é definido como “interiormente sensível ou consciente.”

~1658

Um soldado polonês prisioneiro de Guerra descreve um aspecto da cultura do povo Ob-Ugrian Ostyak da Siberia: Eles comem certos fungos na forma de agáricos e, assim, ficam mais bêbados do que com vodka, e esse é o melhor banquete para eles..”

1799 – 03 de Outubro

A primeira experiência psicodélica com cogumelos é documentada em Londres. Os cogumelos são identificados como Psilocybe semilanceata.

1904 - Agosto

O micologista americano, Franklin Sumner Earle, é a primeira pessoa a coletar e identificar o Psilocybe cubensis em Cuba.

1914 - 18 de Setembro

A descrição de uma experiência de ingestão de psilocibina é publicada na revista “Science”.

1938

A antropóloga Irmgard Weitlaner-Johnson, seu marido Jean Basset Johnson (também antropólogo e linguista) e duas outras pessoas são os primeiros estrangeiros a testemunharem e gravarem uma cerimônia centrada na ingestão de cogumelos (teonanacatl) em Huautla de Jimenez, Oaxaca/México.

O Botânico de Harvard Richard E. Schultes e Blas Reko viajam para Oaxaca e retornam para os EUA com duas espécies diferentes de cogumelos Panaeolus sphinctrinus, e Stropharia cubensis. As espécies foram posteriormente plantadas e cultivadas no herbário de Harvard.

1955 – 29 de Junho

R. Gordon Wasson e Allan Richardson são os primeiros americanos a participarem de um ritual de ingestão de cogumelos sob a orientação da xamã Maria Sabina, no México. Wasson acabou popularizando o uso dos cogumelos em rituais no livro “Mushrooms, Russia and History”.

R. Gordon Wasson convida o micologista Frances Heim para uma pesquisa sobre o uso de “cogumelos sagrados” em Oaxaca Mexico. Ambos identificam 14 espécies e diversas subespécies pertencentes ao gênero Psilocybe, Stropharia, e Conocybe. Algumas destas espécies foram novas descobertas micológicas.

1957 – 13 de Maio

A revista “Life” publica um artigo de Gordon e Valentina Wasson sobre Psilocybe mexicana. O artigo foi instrumental na popularização dos psicodélicos nos EUA.




1959

Allen Ginsberg ingere LSD como parte de uma pesquisa no “Mental Research Institute” em Palo Alto, Califórnia.


A primeira conferência internacional sobre terapia a base de LSD é sediada em Princeton.

Albert Hofmann publica a síntese da psilocibina.


1960: Agosto

O Dr. Timothy Leary publica o relato de uma seção de cogumelos mágicos ocorrida em Cuernavaca, Mexico. No artigo ele comemta: Foi acima de tudo e sem dúvida a experiência religiosa mais profunda da minha vida.


No mesmo ano ele experimenta o sintético de psilocibina do laboratório Suíço Sandoz, coma fase preliminar ao experimento a ser feito na prisão estadual de Concord, Massachusetts.


Dr. Timothy Leary, Dr. Ralph Metzner e Dr. Richard Alpert iniciam o “Harvard Psilocybin Project”. Através do Projeto, doses de psilocybin foram ministradas nos alunos do curso de mestrado do programa de psicologia, além de voluntários, dentre os quais Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Neal Cassady and Aldous Huxley.





1962



Em uma expedição organizada por R. Gordon Wasson, Albert Hofmann visitou a xamã mexicana Maria Sabina com um frasco de pílulas de psilocibina sintetizadas pelo laboratório Suíço Sandoz.

Após experimentar, Maria comentou estar satisfeita em saber que ela poderia vivenciar a experiência dos cogumelos mágicos mesmo quando estes não estão facilmente disponíveis na natureza.


1963: Maio

O Dr Timothy Leary é demitido de Harvard, em tese por haver se ausentado de Cambridge e deixado de ministrar aulas sem aviso ou permissão. O Dr. Richard Alpert é demitido de Harvard por ter dado psilocibina para um aluno de graduação.

Timothy Leary, Richard Alpert e Ralph Metzner fundam a “International Foundation for Internal Freedom (IFIF)”, com escritórios em Boston, Nova Iorque e Los Angeles. No verão do mesmo ano, a IFIF muda sua sede para Zihuatanejo, México. Seis meses depois eles são expulsos do país.




1965: Junho

Bowden, Drysdale e Mogey publicam “Constituents of Amanita muscaria” na revista Nature. O documento atesta que os efeitos psicodélicos dos cogumelos são produzidos pela molécula muscimol.



R. Gordon Wasson’s publica “Soma: Divine Mushroom of Immortality”, Soma, o Divino Cogumelo da Imortalidade e defende a tese de que o Soma é a Amanita muscaria.




Leonard Eros’s publica “A Key to the North American Psilocybin Mushroom”, a fim de instruir o cidadão comum quanto a como identificar cogumelos psilocibina na natureza.



1971

Terence McKenna declara ter tomado sua primeira dose de cogumelos mágicos.



Terence and Dennis McKenna publicam “The Magic Mushroom Guide” e sugerem que a origem do Stropharia cubensis seria extraterrestre.










1981



O Dr. Emanuel Salzman lança o primeiro “The Telluride Mushroom Festival”. O evento visava popularizar a informação quanto aos benefícios psicológicos do uso dos cogumelos mágicos.




1992

Terence McKenna publica Food of the Gods.



1995

Após a descoberta em 1979 próximo a cidade de Astoria, Oregon, Paul Stamets publica a primeira descrição do Psilocybe azurescens, o mais frequente e potente cogumelo do tipo Psilocybe.



1996 – 01 de Outubro

Paul Stamets publica “Psilocybin Mushrooms of the World”.




1998: Dezembro

Os resultados da pesquisa conduzida pelo Dr. Franz Vollenweider no hospital psiquiátrico de Zürich são publicados na Neuroreport.

O trabalho com voluntários psicologicamente sãos demonstra que a psilocibina produz seus efeitos psicodélicos pela ativação do receptor serotonina 5-HT2A . Vollenweider também descobriu que a ketanserina é capaz de bloquear os efeitos da psilocibina. Pesquisas posteriores demostraram que a ketanserina também é capaz de inibir os efeitos do LSD e da Ayahuasca.

1999


O Dr. Roland Griffiths inicia um programa de pesquisa na Johns Hopkins University a fim de investigar os efeitos da psilocibina. As pesquisas incluem estudos sobre as experiências místicas ocasionadas pela substância; tratamento de pacientes em estado terminal causado por câncer; tratamento de pacientes buscando deixar de fumar e os efeitos da psilocibina em líderes religiosos.


1999: Junho

David Nichols, farmacologista norte americano publica no “ The Journal Synthesis” um método aprimorado para sintetizar a psilocibina.

2006

A suprema corte dos EUA determina que o grupo religioso UDV (União do Vegetal), que utiliza ayahuasca como sacramento, tem o direito de importar a bebida legalmente. Ponta pé inicial para o “boom” na propagação de cerimonias de ayahuasca em quase todos os estados norte americanos.

Dr. Roland Griffith’s publica o paper, A psilocibina pode ocasionar experiências do tipo místico com significado pessoal substancial e sustentado e com significado espiritual na revista Psychopharmacology (veja aqui). Este resultado estimula novos estudos que anos depois, acabam concluindo que os efeitos mais rápidos e duradouros de cura nos tratamentos a base de psilocibina, são observados nos pacientes que relatam terem experimentado estados de profunda religiosidade

No mesmo ano outras pesquisas públicas em jornais acadêmicos, atestam que o LSD e a psilocibina podem reduzir a intensidade e frequência de enxaquecas crônicas.

2009: 30 de Outubro

O professor David Nutt, “chief drug adviser” do governo do Reino Unido e “chair” do “Advisory Council” para do uso de Drogas é demitido após publicar um documento, no qual ele informa que o álcool e o tabaco são mais prejudiciais à saúde que o LSD, ecstasy e cannabis.

No mesmo ano o Dr. Robin Carhart-Harris efetua o primeiro estudo clínico com psicodélicos (psilocibina) após 40 anos no Reino Unido.

2011


Charles Grob publica uma pesquisa demonstrando a eficácia do tratamento com psilocibina em pacientes com estados avançados de câncer.



2014: 29 de Outubro

Utilizando um scanner que demonstra a atividade elétrica no cérebro, o Dr. Robin Carhart-Harris e sua equipe no “Imperial College” produzem um mapa das comunicações internas do cérebro. Durante o estado de consciência “normal” (figura de esquerda) as várias redes neurais do cérebro se comunicam primariamente com elas mesmas, com pouca comunicação entre redes diferentes. Sob a influência da psilocibina (figura da direita), milhares de novas conexões se formam entre diferentes redes neurais , resultando em uma maior integração das diversas partes do cérebro.




2015


É lançado o documentário “A New Understanding: The Science of Psilocybin”.



2016

O “California Institute of Integral Studies” em San Francisco se torna a primeira instituição acadêmica a oferecer um curso de graduação voltado para o treinamento e certificação de profissionais da área de saúde, na prática de terapia e pesquisa assistida com cogumelos mágicos.

2018

Paul Austin publica “Microdosing Psychedelics: A Practical Guide to Upgrade Your Life.”




2017: 20 de Setembro

Em uma pesquisa liderada por Claudius Lenz, no instituto Hans Knoll , na alemanha, ω-N-Methyl-4-hydroxytryptamine (Norpsilocin) foi identificado pela primeira vez como um componente natural observado no Psilocybe cubensis. A pesquisa foi publicada no “Journal of Natural Products”. Norpsilocin é um componente mais potente que os demais da família da psilocibina.

2018: 23 de Outubro

A “Food and Drug Administration” (EUA) concedeu a designação de “Breakthrough Therapy” (terapia inovadora/avanço) para os trabalhos da empresa Europeia Compass Pathways, pelas pesquisas no uso terapêutico de psilocibina no tratamento de depressão.



A Compass conduziu alguns dos primeiros testes clínicos de larga escala com terapias a base de psilocibina na Europa e América do Norte.

2019: 9 de Maio

Denver, Colorado tornou-se a primeira cidade nos EUA a descriminalizar o cultivo, posse e uso de cogumelos e promete ir além (veja matéria aqui).

2019: 5 de Junho

Oakland, na Califórnia, descriminalizou o cultivo, a posse o uso de planta e/ou cogumelos contendo componentes psicodélicos.

2019: 4 de Setembro

A respeitadíssima Johns Hopkins University lançou o “Center for Psychedelic and Consciousness Research”. O Diretor do Centro, Dr Roland Griffiths, informou que as pesquisas focam no entendimento de como os psicodélicos afetam o comportamento, humor, capacidade cognitiva, aprendizado, memória e os marcadores biológicos da saúde humana.




Os estudos em andamento também devem atestar a eficácia da psilocibina como nova terapia no tratamento da dependência, especialmente opióides, Alzheimer, síndrome de stress pós traumático (PTSD), anorexia nervosa e alcoolismo, em pacientes com depressão crônica. Os pesquisadores também estão investigando os aspectos ligados a criatividade e bem-estar de voluntários saudáveis (que não declaram ou apresentam sintomas de mazelas psicológicas).

2019: 30 de Setembro

Sob a liderança de Alexandra Adams, pesquisadores da Miami University em Oxford, Ohio, desenvolveram um método economicamente viável de produção em massa de psilocibina. Após terem isolado a sequência do DNA responsável pela produção de psilocibina nos cogumelos, a equipe emendou o DNA dos cogumelos no genoma da bactéria E. coli .


A bactéria produziu mais moléculas de psilocibina do que pode ser cultivado/extraído dos cogumelos mágicos. Além de mais eficaz, o método é mais barato que o processo químico de sintetizar o componente dos cogumelos.

2019: Outubro


Em Zandvoort, Holland, Martijn Schirp, em uma parceria com o Imperial College, o California Institute of Integral Studies lançou o “Synthesis Retreat”. Um centro médico prove tratamentos supervisionados a base de psilocibina, para a formação de profissionais do setor de saúde. As atividades do retiro acontecem ao redor das cerimonias de dose heroicas de trufas de psilocibina que funcionam como catalizadores para a dissolução do ego e preparo para transformação subsequente.


2019: Outubro


Foi lançado o documentário “Fantastic Fungi” . Ele está disponível na Netflix. Clique na imagem para ver o trailer.


2019: 22 de Novembro

A Food and Drug Administration (EUA) concede o status de terapia com alto potencial de cura para o “Usona Institute”, pelos resultados do seu tratamento de depressão crônica a base de psilocibina . Os testes clínicos fase 2 contam com 80 voluntários em sete cidades dos EUA.


2020: 28 de Janeiro

Santa Cruz, na Califórnia descriminalizou o cultivo, e a posse de cogumelos psilocibina, ayahuasca, peiote e iboga.

04 de Agosto

O ministro da saúde do Canada, Patty Hajdu, aprova o uso de psilocibina no tratamento de quatro indivíduos sofrendo de câncer terminal. Esta foi a primeira vez que uma exceção ao “Controlled Drugs and Substances Act” foi concedida para o uso de cogumelos mágicos.


14 de Setembro


A universidade de Berkeley lança um centro de estudos para a ciência dos psicodélicos, no qual o neurocientista Michael Silver atua como diretor. O centro se dedica aos estudos com voluntários sãos (indivíduos que não apresentam sintomas de problemas psicológicos) a fim de produzir conhecimento sobre os mecanismos do cérebro que estão envolvidos no tratamento de desordens mentais. O centro também investiga a capacidade dos psicodélicos de melhorar a flexibilidade cognitiva, alterar a percepção visual, propiciar momentos e sentimentos de autodescoberta, e de alterar o padrão de atividade cerebral. Os experimentos inicialmente usam componentes psicodélicos encontrados na psilocibina.

O Centro também conta com um programa de educação do público em geral, quanto a ciência e pesquisa com psicodélicos. O programa é liderado pelo professor de UC Berkeley e jornalista Michael Pollan, autor de um dos melhores livros sobre o tema, "Como mudar sua mente", veja aqui. O centro tem planos de evoluir na direção de treinar profissionais como guias nas dimensões culturais, contemplativas e espirituais ligadas ao uso de psicodélicos.

21 de Setembro

Ann Arbor, Michigan, se torna a terceira cidade nos EUA a descriminalizar todas as formas de uso de psicodélicos associados a plantas e cogumelos.

22 de Outubro



Em Vancouver, Canadá, a Numinus Wellness Inc. fez a colheita da primeira safra de cogumelos psilocybin, produzida legalmente por uma empresa de capital aberto operando com uma licença do “Controlled Drugs and Substances Dealer’s”. O Chief Operating Officer (COO) Michael Tan comenta em artigo publicado na mídia: Agora, podemos progredir com pesquisa e desenvolvimento de métodos padronizados de cultivo, extração e teste e explorar formulações de produtos para apoiar psicoterapia assistida por psicodélicos segura, baseada em evidências e acessível, bem como construir uma biblioteca de esporos sequenciada.”

03 de Novembro

A capital norte americana, Washington, D.C. descriminaliza o cultivo e a posse de psicodélicos na forma de plantas e cogumelos.

O estado de Oregon (EUA) legaliza o uso de de psilocibina em centros supervisionados por profissionais do ramo de saúde, no tratamento de pacientes adultos em estado terminal. Ainda em novembro do mesmo ano, o estado de Oregon descriminalizou a posse de pequenas doses das chamadas “street drugs”, incluindo psicodélicos.

2021: 18 de Outubro

O Johns Hopkins Medicine recebe um aporte de $3.9 milhões do “National Institutes of Health (NIH)” para pesquisa clínica de psicoterapia assistida a base de psilocibina no tratamento de fumantes (vicio). Esta foi a primeira vez em 50 anos que o governo federal dos EUA proveu recursos para pesquisa clínica voltada ao estudo dos efeitos terapêuticos de um psicodélico clássico como psilocibina. Os trabalhos são liderados pelo Dr Matthew Johnson, com testes clínicos em Johns Hopkins Medicine, na Universidade do Alabama em Birmingham e na NYU, New York University.

2022: 6 de Abril

Foi reportada esta semana na Royal Society Open Science, o resultado da análise de picos elétricos que baseiam o que pode ser a forma de linguagem utilizada pelos cogumelos. Segundo os pesquisadores os padrões nestes picos elétricos são similares aos observados na comunicação humana.

Ao que parece, os cogumelos trocam sinais elétricos entre si através de um hyphae— longos filamentos usados pelos organismos para crescer e explorar. O The Guardian informa que pesquisas previas mostraram que o número de impulsos elétricos sendo transmitidos pelo hyphae, que se assemelharia aos neurônios, aumenta quando os cogumelos encontram novas formas de alimento, o que sugere a possibilidade de que os cogumelos utilizam esta linguagem a fim de compartilhar a informação sobre novas fontes de alimento ou ferimentos incorridos por eles.

O mundo acadêmico ainda é cético quanto a confirmação de que estes picos de energia sejam de fato uma forma de comunicação do tipo linguagem. O pulsar de energia já havia sido identificado em situações nas quais os cogumelos estão transportando nutrientes.

“Este novo artigo detecta padrões rítmicos em sinais elétricos, de frequência semelhante aos pulsos de nutrientes que encontramos,” relata o micologista Dan Bebber da University of Exeter ao The Guardian, co-autor dos estudos anteriores.

Na próxima edição, vamos conhecer em detalhes as frequências cerebrais e suas características, como gerenciar seu estado mental/emocional utilizando sua respiração, sua mente e suas emoções.

Até sempre!



Sobre a newsletter

"Psiconauta" é uma palavra baseada em raízes gregas que se traduzem em “explorador da mente”. É uma mistura de "psico'', um prefixo usado para descrever processos mentais ou práticas como psicologia e termos como argonauta e astronauta, cujas “viagens e explorações dos mares e do espaço” evocam uma transcendência elevada ou espiritual. A ideia é mensalmente provocar, refletir e agir sobre temas da mente e espírito.


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