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  • Foto do escritorCadu Lemos

O Trabalho Pós-Pandemia: Consciente, Humanizado e Além do Ego



A pandemia provocou uma profunda reflexão sobre o mundo e a forma como vivemos, trabalhamos e lideramos. Emergiu uma necessidade premente de repensar a forma (obsoleta) que trabalhamos, os estilos de liderança e gerenciamento e as relações, abraçando uma abordagem mais consciente e humanizada.

Este texto propõe a reflexão sobre um novo paradigma que reconhece a interconexão de todos os seres e a importância da segurança psicológica dos times e colaboradores nas organizações como um pilar fundamental.

Nesse contexto, o lucro, entregas e os resultados passam a ser consequências naturais de uma maneira de trabalhar (e liderar, claro, afinal o exemplo, o ponto de partida é exatamente ali, na liderança) que prioriza o bem-estar e o desenvolvimento integral das pessoas. A ideia aqui é explorar essa visão de liderança pós-pandemia, inspirada pela compreensão da não dualidade e da unidade da consciência.


A Ilusão do Ego e a Não Dualidade

Antes de mergulharmos no ‘novo’ trabalho pós-pandemia, é fundamental compreender a perspectiva que sustenta essa mudança. A pandemia não apenas desafiou a forma como trabalhamos, mas também nos provocou a repensar nossas prioridades e valores. Tradicionalmente, muitos de nós vivemos acreditando que somos entidades separadas, nossas mentes e corpos isolados do mundo exterior. Isso nos leva a fortalecer nosso ego, a identificação com nossas próprias preocupações e interesses individuais. No entanto, uma visão mais profunda e espiritual da existência nos convida a questionar essa separação.

Escrevi sobre isso nas edições 7, 8, 9 e 10 de O PSICONAUTA, minha newsletter dedicada ao autoconhecimento. Também recomendo a leitura de dois livros de Katrijn van Oudheusden que abordam o tema de forma objetiva e clara, especialmente para quem ainda não teve contato com o tema:


Katrijn e seus livros que abordam a liderança além do ego e a não dualidade.


Tenho traduzido e adaptado para o português um pouco do belíssimo trabalho da Katrijn e você pode acessar várias publicações no LinkedIn (veja os artigos mencionados acima).

Nossos pensamentos, sentimentos e experiências não são exclusivos de nós mesmos, mas manifestações dessa consciência interligada. Essa compreensão desafia a primazia do ego (e suas armadilhas e estratégias) e nos convida a transcender os limites que ele impõe. Agora, com essa base, podemos explorar como essa perspectiva influencia a nova liderança pós-pandemia.

Liderança Consciente: Além do Ego

Pessoas conscientes reconhecem que o ego é o principal obstáculo para uma liderança eficaz e significativa. Eles entendem que suas próprias preocupações, agendas pessoais e ambições muitas vezes obscurecem a visão de um bem maior.


A filosofia da não dualidade afirma que não há uma separação rígida entre "eu" e "outro". Ela nos convida a transcender a ilusão do ego e perceber que, no nível mais profundo, todos nós somos uma expressão da mesma consciência universal. Essa compreensão transforma nossa maneira de liderar, pois iremos entender e nos relacionar com os membros da equipe como como extensões de nós mesmos.


Humanização da Liderança: Segurança Psicológica em Foco

Uma das características mais marcantes da nova liderança pós-pandemia é a ênfase na humanização. Nunca se falou tanto em liderança humanizada, consciente, (até mesmo com a tal “demissão humanizada”, uma invenção torta de algo que deveria ser percebido quase como uma redundância, ou seja, deveria existir demissão que não fosse humanizada?) Sim, eu sei que o ‘comando e controle’ ainda prevalece e muitos líderes são completos trogloditas tóxicos - papo para outro artigo.


A segurança psicológica tornou-se uma prioridade. Os líderes entendem que, em um ambiente onde os funcionários se sentem seguros para expressar suas opiniões, errar e crescer, a inovação e o crescimento florescem naturalmente. Isso requer a capacidade de ouvir atentamente, demonstrar (de verdade) empatia e criar um espaço onde todos se sintam valorizados e respeitados.


Ela se refere à sensação de que é seguro expressar opiniões, ideias e preocupações sem medo de retaliação ou julgamento. Uma liderança que prioriza a segurança psicológica cria um ambiente de confiança e colaboração, onde a equipe se sente à vontade para contribuir plenamente.

Nesse cenário, os líderes não são apenas facilitadores de tarefas e metas, mas também cultivadores de um clima emocionalmente seguro. Eles encorajam a autenticidade e valorizam a diversidade de pensamento, reconhecendo que é dessa diversidade que surgem as soluções mais inovadoras e eficazes.


Resultados como Consequência, Não Objetivo Final

Nesta nova forma de olhar para o trabalho, o lucro e os resultados financeiros ainda são importantes, mas não são mais o objetivo final. Em vez disso, são vistos como consequências naturais de uma liderança eficaz, valores sólidos e um ambiente de pertencimento real, com significado. Afinal, se passamos em média 70% da nossa vida adulta no trabalho, ele tem que valer a pena. Quando os líderes priorizam a conscientização, a humanização e a segurança psicológica, a motivação e o engajamento aumentam.


Está na pauta hoje, no mundo, a possibilidade de uma jornada de 4 dias. O Brasil está testando agora, a Inglaterra já testou e os resultados foram até apresentados no Fantástico…(veja aqui), ou seja, o assunto é quente e já saiu das salas de reunião. Sobre isso, volto a falar quando o estudo brasileiro for concluído.


Desafios da Nova Liderança

Embora a nova liderança pós-pandemia seja inspiradora e promissora, ela não está livre de desafios. Uma das maiores barreiras é a resistência à mudança. Muitos líderes estão enraizados em abordagens tradicionais e podem lutar contra a adoção de uma mentalidade mais consciente e humanizada.


A implementação da liderança consciente exige práticas tangíveis no dia a dia da organização. Isso inclui promover a escuta ativa, encorajar a autenticidade, oferecer feedback construtivo e criar um ambiente inclusivo onde as vozes de todos são valorizadas.


Os líderes devem investir em seu próprio desenvolvimento pessoal e espiritual (tema também crescendo dentro do contexto organizacional, veja mais aqui), buscando compreender e transcender as limitações do ego.


Ao fazer isso, eles se tornam modelos inspiradores para suas equipes, exemplificando a verdadeira natureza da liderança consciente.

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