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  • Foto do escritorCadu Lemos

A escolha da Liderança


O mundo VUCA (Volátil, incerto, complexo e ambíguo) nunca esteve tão presente e representado como agora.

O COVID-19 é o grande agente deste momento, na nossa realidade cotidiana e no nosso imaginário, que infere, projeta e sente medo, dúvida, angústia, mas também esperança, garra e superação.

Uma coisa parece certa: O novo normal é agora, o trabalho remoto, pelo menos para 62% da força de trabalho nos EUA, segundo dados do Gallup. Empresas que nem consideravam esta possibilidade, estão percebendo que algo positivo, pode ser aprendido e acionado neste momento.

Esta mudança vai sem dúvida, desafiar as culturas organizacionais vigentes e que estão se moldando sob o Coronavírus.

Se pensarmos que culturas fortes e consistentes são algo difícil de se construir durante tempos ‘normais’, imagine agora, quando estamos todos sob uma ameaça maior do que se pensava.

Na mesma pesquisa, o Gallup aponta que apenas 23% dos colaboradores norte americanos afirmam aplicar os valores de suas organizações no seu trabalho cotidiano.

As organizações precisam de um plano para garantir que continuem a criar uma experiência no trabalho que seja única, abraçada e valorizada pelos colaboradores, especialmente porque a cultura é resultado de uma construção social. Não cabe apenas a uma pessoa definir as práticas e comportamentos que são percebidos como ‘o nosso jeito de ser e de fazer’.

As interações pessoais próximas (físicas), que sempre representaram a realidade do mundo do trabalho, mudaram completamente, colocando em situação frágil o conjunto de ‘normas’ estabelecidas.

Então, o que fazer?

Sempre fui favorável a uma comunicação transparente, fluida, de cima para baixo, de baixo para cima e para os lados, sem agenda oculta, sem segundas intenções e venho falando disso desde que a metodologia 9C’s das equipes de alta performance nasceu. Há um décimo "C", oculto nessa metodologia. Para implementa-la de forma verdadeira, há que se ter CORAGEM.



Os líderes devem se comunicar e estabelecer um diálogo e uma narrativa contínua com seus times. É preciso haver consistência e frequência nas mensagens.

É fundamental que se tenha sempre em mente o porquê da existência da organização, sua causa, seu propósito e seu impacto no mundo, para que estas mensagens não se percam quando toda a atenção se desloca para as tarefas e desafios do dia a dia.

Sabemos que o ‘micro management’ tem acontecido de forma constante, por conta da insegurança de muitos gestores e a falta de confiança em seus times. Basta ver a quantidade de ferramentas disponíveis para se controlar logins e permanências online durante o trabalho remoto.

Outro dado impressionante da pesquisa, mostra que apenas 4 em cada 10 colaboradores concordam que a missão ou propósito de suas empresas fazem com que sintam que sua própria contribuição é importante.


O momento pede um verdadeiro ‘hack’ na cultura vigente, caso ela não reflita para os colaboradores, aquilo que se propõe


Tenho desafiado constantemente o conceito de Missão-Visão-Valores, procurado dar mais atenção ao real impacto que cada organização causa em seu entorno e por consequência, o que sentem os times que lá trabalham. Sempre fui defensor da tese de que o cliente vem em segundo lugar.

Agora é a hora mais importante para mostrar como a missão e o propósito (e o impacto causado, claro) tem sido mantido ativos. É hora de provocar o time de forma positiva, buscando um re-compromisso com as conquistas diárias da empresa e de cada um que faz parte dela .

Existem quatro necessidades fundamentais das pessoas no momento atual e que devem ser absorvidas e devolvidas em forma de ação pela liderança:

  • Esperança: O desejo por um futuro melhor

  • Confiança: A crença de que as palavras vão estar conectadas de verdade com as ações

  • Compaixão: Um entendimento do outro (como se sente, o que está pensando, eles precisam saber que você está ouvindo).

  • Estabilidade: Os colaboradores querem a tranquilidade de saber que certas coisas seguirão firmes, consistentes, mesmo em tempos de imensa mudança.

Se cultura é o ‘jeito como fazemos as coisas’, é importante que os gestores reconheçam que isso mudou dramaticamente.

Esta é a oportunidade para se estabelecer novas maneiras de se trabalhar, novos rituais, novas práticas e padrões, seja de comunicação, parcerias, seja de colaboração e novos acordos de relacionamento. Num ambiente físico, é mais fácil que esta mudança aconteça, é natural e histórico, porém, neste novo mundo virtual e de trabalho remoto, haverá a necessidade que líderes e gestores sejam proativos e dêem um passo firme na direção de estabelecer estruturas e novas maneiras de fazer as coisas.

Já estão acontecendo agora uma série de iniciativas bacanas, como cafés virtuais, sessões de brainstorming, checklists de necessidades pessoais e ligadas ao trabalho, celebrações de conquistas diárias.

Somente culturas organizacionais verdadeiras, fortes, consistentes e conscientes terão a chance de sair menos afetadas de tudo isso, provando ser frutos autênticos de escolhas acertadas.

Nesse momento que atravessamos, revelam-se o melhor e o pior da condição humana - países barganhando insumos médicos em momentos como este e em contraponto, movimentos independentes sendo criados para ajudar de diversas maneiras - surge então, a grande chance de se transformar aquilo que já vinha dando sinais claros de cansaço - sim, o velho comando e controle - em algo realmente verdadeiro e com eco naquilo em que fomos talhados para ser, seres sociais, se relacionando de forma cooperativa e com compaixão real, não apenas buscando aplacar o peso de nossas consciências em momentos como este.

Essa é a grande escolha. E para faze-la, há que se ter coragem

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