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  • Foto do escritorCadu Lemos

#9/Não dualidade - Parte 3 - O despertar

Atualizado: 27 de set. de 2023



Nesta edição de O PSICONAUTA, vamos apresentar um caminho já trilhado por muitos, com orientações de mestres tradicionais como Ramana Maharshi, Papaji e os contamporâneos Loch Kelly, Rupert Spira, Jean Klein, Douglas Edison Harding, entre outros, com destaque especial ao trabalho de Katryn (Katrijn van Oudheusden), dedicado ao despertar também no mundo organizacional, com a visão da liderança sem ego, de forma muito prática e objetiva.


O material desenvolvido pela Katryn, vem sendo traduzido, adaptado e postado aqui no LinkedIn por mim há alguns meses e, nesta edição, vamos compartilhar as várias alternativas para lidar com a auto ilusão da separação, visando um despertar consciente. Estas práticas, fazem parte do e-book original, parte do curso em video (em inglês), que pode ser acessado aqui.


A não dualidade é um conceito filosófico e espiritual que se baseia na compreensão de que não há uma separação fundamental entre sujeito e objeto, eu e o mundo, ou qualquer outro par de opostos. Essa perspectiva sugere que a realidade última é uma unidade indivisível e não pode ser dividida em categorias dicotômicas.


Enquanto as religiões e devoções podem fornecer caminhos e práticas para alcançar essa compreensão e experiência, a não dualidade em si mesma não está limitada a nenhuma tradição religiosa específica. Ela pode ser encontrada em diversas tradições filosóficas e espirituais ao redor do mundo, inclusive fora de um contexto religioso formal.


A não dualidade não exige a adesão a um conjunto específico de crenças ou práticas rituais. Ela está além das noções de certo e errado, bem e mal, e transcende a identificação com conceitos limitantes de identidade pessoal. A não dualidade destaca a unidade subjacente de toda a existência e nos convida a reconhecer a interconexão profunda entre todas as coisas.


Além disso, a não dualidade é uma experiência direta que pode ser acessada através de práticas contemplativas, meditativas e de autoinvestigação, independentemente de qualquer sistema religioso. Através da introspecção e do questionamento profundo, é possível transcender as divisões aparentes e reconhecer a natureza essencialmente não dual de nossa própria consciência.


Dessa forma, a não dualidade pode ser considerada uma perspectiva universal que vai além dos limites dogmáticos das religiões e devoções específicas. Ela é uma abordagem inclusiva que permite que pessoas de diferentes crenças e tradições espirituais encontrem uma base comum na qual podem explorar a natureza da consciência e a verdadeira natureza da realidade.


Dentro da visão da não dualidade, a consciência desperta é a compreensão de que somos mais do que apenas nossa mente e corpo. Ela representa um estado de consciência no qual nos reconhecemos como seres infinitos e atemporais, conectados à totalidade do universo.


Na perspectiva da não dualidade, a mente e o corpo são vistos como aspectos temporários e limitados de nossa existência, enquanto a consciência desperta é vista como o aspecto permanente e ilimitado de nossa natureza. Quando estamos conscientes dessa verdadeira natureza, nos liberamos da identificação com nossos pensamentos e emoções, e somos capazes de viver em um estado de paz, liberdade e amor incondicional.


A consciência desperta não é algo que podemos alcançar através de técnicas ou práticas específicas, mas sim algo que já está presente em cada um de nós, esperando ser reconhecido. É a compreensão de que somos um com o todo, e que nossa existência é parte integrante da teia interconectada da vida. É como se precisássemos limpar as nuvens do céu e deixar o sol iluminar o caminho.


Então agora, arrume um lugar tranquilo, sem interrupções, faça sua prática de centramento (respiração, visualização ou atenção plena entre muitas...) e mente à obra!

Mas antes, um video curtinho para te preparar para esta viagem:




Auto Investigação - Como fazer

Observação importante:

Se você estiver sob os cuidados de um profissional de saúde mental (ou considerando tal cuidado),recomendamos que você o consulte antes de tentar estas práticas.


"O maior crime é

Negligenciar

Quem você realmente é

A favor da história de

Quem você pensa que é."

- Wu Hsin


EXPECTATIVAS

Nada vai mudar e, no entanto, toda uma nova dimensão se abre ao reconhecermos nossa verdadeira natureza.


É o começo da transformação que você está procurando.


Quanto mais você se torna consciente do que você realmente é, mais você desenvolve interesse.

Quanto mais você estiver interessado, mais você se sentirá atraído.

Quanto mais você se sentir atraído, mais você irá investigar e descobrir.


Tudo isso acontece inteiramente por si só quando o rio deságua no oceano.

Não há necessidade de luta ou esforço de qualquer tipo.

Relaxe.


PREPARAÇÃO

Esqueça tudo o que você sabe.

Esqueça todos os livros que leu.

Esqueça os caminhos e as práticas.

Esqueça o que os gurus e professores disseram.

Por enquanto, deixe de lado todas as ideias, conhecimentos, expectativas e crenças sobre a investigação ou o despertar. DEIXE TUDO ISSO DE LADO.


Tudo o que temos é este momento. Neste momento, o que você precisa VOCÊ JÁ TEM, já está aqui.


Eu sei que é difícil, mas apenas CONFIE nisso por enquanto. Confie que você já está desperto e simplesmente se esqueceu disso.


Nós complicamos demais as coisas, então também complicamos a auto investigação. Vamos redescobrir como isso é verdadeiramente simples.


Este texto simplesmente mostra como perceber que você já está acordado.


Se estamos falando de reconhecer nossa verdadeira natureza, então deve ser algo que já existe. Já deve ser o que somos.


Então, logicamente, esse reconhecimento não requer nada nem a tentativa de fazer algo acontecer.


A única coisa que vai acontecer é uma mudança para saber algo que já existia sem a gente saber.

Ou lembrar.


É um reconhecimento.



Assim como Neo em Matrix, começamos a ver a própria Matrix: nos tornamos conscientes do código. O que estava escondido no fundo vem à tona em nosso entendimento.


INSTRUÇÕES BÁSICAS


Agora, pense:


O que está ciente de ler essas palavras? O que percebe?


Gire sua atenção em 180° e coloque-a naquilo que está ciente de ler isto.

O que está lendo e percebendo é VOCÊ.

VOCÊ é a presença consciente, lendo.


Portanto, essa presença não é algo separado de você ou um estado a ser alcançado.

Você já É isso.

Isso, agora mesmo, lendo isso.

É só disso que estamos falando.


Agora olhe ao redor da sala, do ambiente onde você está e observe as coisas em volta.

Mais uma vez, pergunte-se (voltando-se para dentro):


O que está ciente deste lugar?


Tudo o que estamos vendo aqui é a consciência comum e cotidiana.


Não há nada espiritual ou difícil nisso. É a nossa experiência diária constante assim que acordamos de manhã e que nos acompanha desde que nos damos conta, há anos.


Se você não soubesse, não percebesse, não estaria aqui para ler isso.

Todos os livros, professores e textos espirituais estão falando sobre isso.

CONSCIÊNCIA DESPERTA, TODOS OS DIAS.


Deixe essa ideia ‘marinar’, decantar por um tempo,

É isso.


OLHE NOVAMENTE:


Você está presente?

Você está ciente? Você percebe?


É SÓ ISSO.



Essa sensação inominável de PRESENÇA é o que estamos falando: sua verdadeira natureza. Totalmente comum, consciência cotidiana.

Apenas um alerta: não espere que você veja isso e esteja “pronto” e desperto. Estar pronto é apenas outro conceito.


Nam June Paik

Você nunca é uma pessoa realizada. Você se percebe como consciência de presença repetidas vezes, AGORA.

Porque o AGORA é tudo o que existe.


Neste momento, você SABE o que você realmente é?

Isso é tudo que importa: AGORA.


Para dar um nome a essa presença consciente, nós a denominamos de Consciência, em maíusculo. Podemos chamar do que quisermos, porque não é uma coisa. Substitua por qualquer palavra que você quiser.


Então, observe:

CIENTE = VOCÊ

VOCÊ = CIENTE


A ÚNICA "prática" que irá despertá-lo para sua verdadeira natureza é simplesmente saber disso, de novo e de novo e de novo.


Nota minha: Meditação é bom, mas pressupõe levar sua atenção para fora ou para dentro, focando em algo. Infelizmente, leva muito tempo para se descobrir algo que não precisa ser buscado, já está aqui. Mais sobre isso na próxima edição.


Esqueça o ontem e o amanhã. Você só pode saber disso AGORA.


OLHE PARA TRÁS DO SEU SER.

OLHA O QUE ESTÁ OLHANDO.


O que ou quem está experimentando tudo isso?


O SABER é suficiente.

Isso é tudo, não importa o que você tenha ouvido ou lido.

Saber que você é a presença consciente.

Não é um descansar nela ou permanecer nela. Não é um estado, nem uma experiência culminante, espetacular com sons e luzes, nem uma meditação profunda, nem uma ação.

É apenas SABER: Presença consciente.


Não é a pessoa que está consciente da Consciência.

É a Consciência consciente de Si mesma.


O PROBLEMA

O problema é que você ainda acredita que essa presença consciente é um "eu" pessoal.

Nota minha: Veja a série "Auto Engano" que publiquei aqui no LinkedIn em 6 posts.

Você acredita que o que está lendo estas palavras é uma pessoa separada, independente.

Quanto mais você estiver ciente da presença consciente, desperta, mais você vai perceber que isso não é verdade.


Você pode saber diretamente que essa presença consciente lendo isso, é ilimitada, eterna, alegre e em paz.


O eu separado limitado aparece como um monte de pensamentos e sentimentos recorrentes dentro desta presença consciente.


Se você é a presença consciente e a pessoa separada aparece dentro dela (junto com tudo o mais), então você não pode ser a pessoa separada.


Você não pode ser um monte de objetos aparecendo para si mesmo.


A história de quem você pensa que é, é contada apenas pela sua mente – está viva apenas no seu pensamento.


O pensamento aparece e desaparece dentro da presença consciente que você é.


Você obviamente não é um pensamento. Você é aquele que está ciente do pensamento.


Na verdade, só existe:

- Conhecimento

- Todo o conteúdo que aparece na Consciência


Tudo o que é necessário é desidentificar-se com o conteúdo (incluindo a mente, todos os pensamentos e sentimentos e toda a sua história) e reconhecer a Consciência.


Nota minha: Imagine que você não tem mais seu nome, sua história, sua formação, sua profissão, seu cargo, sua família, nada. Algo continua? O que fica quando sua mente não está ocupada tentando resolver algo ou pensando numa coisa atrás da outra?


Não é difícil, apenas incomum, inesperado.

Vejamos novamente:





Para onde o dedo está apontando?




Você pode sentir isso? A vivacidade? A presença? Um espaço aberto, mas que ‘sabe’.


Não pense sobre isso, SEJA e SAIBA disso. Não tente entender com a mente.

Tudo isso acontece espontaneamente, então relaxe. O fato de você estar lendo isso significa que já está acontecendo.


Você não está “conectando” à Consciência. Você não está encontrando ou retornando ou descansando nela.

VOCÊ É A CONSCIÊNCIA.

AGORA SEJA.

Conscientemente.



Em vez de se identificar como a onda,

seja o oceano.

Em vez de se identificar como as nuvens,

seja o céu.

Em vez de se identificar como o personagem,

seja o teatro em que a peça é encenada, a tela do cinema ou da TV.

Em vez de se identificar com pensamento, sentimento, sensação ou percepção,

permaneça como a Consciência na qual eles aparecem.

Permaneça como sua verdadeira natureza.

Seja você mesmo, conscientemente.

ALERTA!

NÃO É FOCO OU ATENÇÃO


Só para deixar bem claro:

Não estamos falando de sua atenção, aquela que você usa para se concentrar nas coisas EM sua consciência. . . atenção não é Consciência.


Você pode se concentrar no copo na sua mão ou no texto desta página e, ainda assim, durante todo esse tempo, seja qual for o foco, você percebe essa experiência.


Caso contrário, você não conseguiria experimentar isso.


Não importa onde esteja o seu foco, você deve estar atento para experienciar, vivenciar o foco.

Alguns tentam se concentrar na Consciência. Isso não é possível porque você É Consciência. Tentar se concentrar nisso lhe dará uma dor de cabeça monstruosa.


Da mesma forma, “olhar para dentro” não significa focar. Significa estar atento, ao que já está acontecendo, mas agora, você já SABE disso.


NÃO É PENSAR


Consciência NÃO é pensar.

Muitos vão ler isso e usar suas mentes para tentar “acessar” a Consciência.

Consciência não é pensamento. A consciência está ciente de todo pensamento.


Estamos tão acostumados a usar a mente para entender, que é difícil perceber que você está pensando nisso e não apenas sendo.

Também não há como cultivar a Consciência, descansar nela ou aprofundá-la.

Como ela está lá e sempre esteve, trata-se apenas de saber. Você não pode chegar a algo que já está presente.


É muito fácil, muito simples.

Mas o fato de ser tão fácil é o que torna tão difícil para nós compreendermos.


NÃO É ATENÇÃO PLENA


Não confunda Consciência com estar atento.

Na atenção plena (mindfulness), tentamos aquietar a mente concentrando-nos na respiração ou observando os pensamentos, sentimentos e sensações que passam.


Ao conhecer a Consciência, o conteúdo da mente é irrelevante. Desfocamos o conteúdo.

Não estamos tentando aquietar a mente.


A mente pode estar transbordando de conteúdo e, ainda assim, também estamos sempre conscientes do conteúdo.


Então, tudo o que precisamos é apenas SABER disso.



A ÚNICA "PRÁTICA" QUE VOCÊ PRECISA


Assuma conscientemente a “posição” da Presença que está lendo estas palavras.

Isso é como uma mudança de identidade.


Em vez de se identificar com o conteúdo da Consciência (pensamento, sentimento, sensação, percepção), identifique-se com AQUELE que está CIENTE do conteúdo.


Você vai conseguir isso naturalmente, pois isso acontece espontaneamente. Pensar em fazer isso não vai fazer que aconteça. Tentar fazer força, também não vai.


Você já É o que é e reconhece que isso acontece quando acontece.


Então relaxe.

Desfoque.

Seja.


VENDO ATRAVÉS DA ILUSÃO

Essa mudança na identificação é simplesmente SABER o que já é. O que está lá.

Como na ilusão de ótica abaixo, você percebe que existem duas visualizações:


Uma é de um cubo colocado em um canto triangular.

A outra é de um canto do triângulo cortado em um prisma.

AMBOS estão na foto. Você não precisa adicionar, fazer ou realizar nada para perceber uma segunda visualização.

Simplesmente relaxe e foque do cubo para a imagem como um todo. Suavize seu olhar e a outra visão emerge.

Ambos já estão na imagem. É só uma questão de SABER.



Você vê um coelho ou uma ave?


Exatamente da mesma forma, sempre há tanto a Consciência quanto o conteúdo da Consciência.

Normalmente, apenas “vemos” um dos dois e, no entanto, ambos estão sempre presentes.

Sempre que você desvia a atenção do foco exclusivo no conteúdo, há Consciência.

Você pode saber que tudo está acontecendo dentro de você, incluindo o corpo-mente e todos os outros corpos-mentes no mundo, bem como toda a existência.

Todo o universo aparece dentro de Você.

A chave é sempre voltar à Consciência.


A princípio, imagine que isso é o ponto laranja da Consciência no campo azul da experiência.

Ficamos interessados no ponto laranja. Começamos a “procurar” Consciência.

Notamos a Consciência e sua presença constante entre tudo o mais que está sempre acontecendo: pensamentos, sensações, sentimentos e percepções.



Para conseguir isso, devemos nos interessar mais pelo ponto laranja da Consciência do que pelo azul da experiência. E isso não é algo que você pode forçar, acontece por si só.

A princípio, parece que a Consciência é algo em que você pode prestar atenção dentro da experiência.

A certa altura, você reconhece que a Consciência pode ser mais parecida com esta imagem: sempre aqui, no limite de sua experiência, observando. . .



E ainda assim parece limitado.




Até que você perceba que a Consciência é realmente o que toda experiência está acontecendo DENTRO.


Não é você e a Consciência como duas coisas separadas.


Existe apenas Consciência e tudo o que é experimentado dentro dela, incluindo o que você considera ser você.







Quanto mais você souber disso, menos sólida e fixa a sensação de ser um "eu" separado se torna.

O conteúdo da experiência vem e vai dentro do que está sempre presente:

Consciência.

VOCÊ, o que Você realmente é, está sempre presente de forma imutável, não importa o que esteja acontecendo.



Você passa a entender que tudo É Consciência, incluindo o que você pensava ser seu "eu".


Não EXISTE um experimentador separado,

nenhuma experiência separada.

Tudo parece, e é, Consciência.


É uma consciência.

Está tudo lá.


NADA PARA FAZER


Esse entendimento se basta.


A consciência, uma vez que se reconhece, volta para si mesma, por si mesma.

A experiência não muda necessariamente, mas o CONHECIMENTO muda.


A vida geralmente ainda é vivida da perspectiva de um eu separado. Mas fica cada vez mais óbvio que isso é uma ilusão. E isso faz toda a diferença, porque afinal se preocupar com uma ilusão?


Agora que você sabe o que você é, você naturalmente se posiciona como consciência.

Isto é apenas sobre o AGORA. De novo e de novo, ele ocorre espontaneamente e você permanece como seu verdadeiro eu.


É apenas a velha crença em um eu separado que faz parecer que há algo a fazer, praticar ou alcançar.

Simplesmente reconheça: Consciência É.


Nota minha: De novo, o que fica quando sua mente não está tentando resolver nada?



Mais sobre a Katryn em www.selflessleadership.life


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"Psiconauta" é uma palavra baseada em raízes gregas que se traduzem em “explorador da mente”. É uma mistura de "psico'', um prefixo usado para descrever processos mentais ou práticas como psicologia e termos como argonauta e astronauta, cujas “viagens e explorações dos mares e do espaço” evocam uma transcendência elevada ou espiritual. A ideia é mensalmente provocar, refletir e agir sobre temas da mente e espírito.


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