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#2/Estados ampliados de consciência



"Psiconauta" é uma palavra baseada em raízes gregas que se traduzem em “explorador da mente”. É uma mistura de "psico'', um prefixo usado para descrever processos mentais ou práticas como psicologia e termos como argonauta e astronauta, cujas “viagens e explorações dos mares e do espaço” evocam uma transcendência elevada ou espiritual.

Nesta edição, um depoimento pessoal e corajoso da experiência com a Ayahuasca, dividido por um executivo brasileiro que mora nos EUA e do ponto de vista científico, os estudos conduzidos pelos cientistas Anil Seth e sua equipe, os brasileiros Dráulio Araújo e Luiz Fernando Tófoli, que compartilham seu trabalho de pesquisa em um vídeo de uma sessão de Ayahuasca para combater depressão, além de matéria muito abrangente na CNN Health norte americana.


"O estado psicodélico está para um nível mais alto de consciência assim como o sono está para um nível mais baixo".


Com esta frase, o neurocientista britânico Anil Seth, define de forma objetiva algumas das conclusões de seu estudo realizado em 2017 neste tema fascinante.

Tive a oportunidade de recentemente fazer um curso online com ele, sobre sono e ao conhece-lo, percebi que sua atuação e pesquisas iam muito mais além e fui buscar um pouco mais de detalhes sobre seu trabalho.

Nesta edição d' O Psiconauta, além deste estudo, vou falar específicamente da Ayahuasca, uma espécie de chá, de origem Inca, utilizado há milênios por povos nativos da América do Sul em rituais de extrema espiritualidade. A palavra Ayahuasca pode ser traduzida livremente como 'Vinho da Alma'.


AYAHUASCA


Também conhecida como caapi, yajé, ou yagé, a bebida é produzida a partir do caule e da casca da liana tropical Banisteriopsis caapi e outros ingredientes botânicos. A ayahuasca é feita por imersão ou fervura dos caules de B. caapi (às vezes chamado de ayahuasco), uma videira tropical da ordem Malpighiales, com as folhas da planta chacruna (Psychotria viridis). Alternativamente, as folhas de algumas outras plantas, principalmente a planta chagropanga (Diplopterys cabrerana), podem ser usadas. B. caapi é fonte de harmina, um alcalóide que inibe a degradação no sistema digestivo de DMT (dimetiltriptamina), a substância psicoativa que a outra planta fornece.

Por incontáveis séculos, as drogas psicoativas derivadas de plantas desempenharam um papel importante nas religiões tradicionais sul-americanas. O botânico inglês Richard Spruce encontrou pela primeira vez a ayahuasca e a B. caapi em 1851. À medida que o conhecimento dos efeitos psicotrópicos da ayahuasca se difundiu no final do século 20, o Peru experimentou um influxo de turistas em busca da bebida.

O DMT é ilegal na maioria dos países, incluindo os Estados Unidos, onde é classificado como substância controlada do Anexo I (uma herança questionável da perseguição imposta por Richard Nixon aos psicodélicos - mas isso fica para uma próxima edição). Mesmo assim, as cerimônias da ayahuasca proliferaram no século 21. Lotes da poção são tipicamente preparados por um xamã ou ayahuasquero e ingeridos por participantes reunidos em grupos aconselhados a evitar certos alimentos e medicamentos com antecedência para evitar interações perigosas. A náusea é um efeito colateral normal, que segundo os xamãs, simboliza uma verdadeira limpeza física e espiritual.

Nesta edição, um depoimento da experiência com a planta e o ponto de vista científico, com os estudos conduzidos pelos cientistas Anil Seth e sua equipe, os brasileiros Dráulio Araújo e Luiz Fernando Tófoli, que compartilham seu trabalho de pesquisa em um vídeo de uma sessão de Ayahuasca para combater depressão além de matéria na CNN Health.

É preciso que ser reforce que o consumo desta planta, quando realizado com ambiente e intenção adequados ("set and setting" - veja detalhes no glossário) e monitorada por experientes guias, pode ser uma poderosa forma de ampliação de consciência.


Os efeitos



Tradução: À esquerda, atividade cerebral estabilizada, em um cérebro normal. À direita, sob a influência de psilocibina, diversas áreas do cérebro, que normalmente não se comunicam, se tornam fortemente conectadas.


No gráfico acima, pode-se notar que os pontos e cores, correspondem a redes ricas em conexão e que acontece uma intensificação por todo o cérebro após o efeito da psilocibina (falaremos mais desta substância na próxima edição).

Algumas sensações de experiências de ampliação de consciência relatadas, são quase uma mistura de sentidos como relacionar sabor a determinadas cores, sentir diferentes sons ou mesmo enxergar cheiros e aromas.

Segundo Anil Seth, percebe-se claramente, um aumento sustentado na diversidade dos sinais neurais - uma medida da complexidade da atividade cerebral - de pessoas sob a influência de substâncias enteógenas (há uma diferença clara com a palavra alucinógena,veja no glossário abaixo), em comparação com quando essas mesmas pessoas estavam em estado de vigília normal.

A diversidade dos sinais cerebrais fornece um índice matemático do nível de consciência. Por exemplo, pessoas que estão acordadas têm uma atividade neural mais diversa do que aquelas que estão dormindo.

"Esta descoberta mostra que o cérebro sob ação de psicodélicos se comporta de forma muito diferente do normal. Durante o estado psicodélico, a atividade elétrica do cérebro é menos previsível e menos integrada do que durante a vigília consciente normal - conforme medida pela diversidade de sinal global.

"Como esta medida já mostrou seu valor como o entendimento do 'nível de consciência', podemos dizer que o estado psicodélico aparece como um nível de consciência mais elevado do que o normal - mas apenas com relação a esta medida matemática específica".

Para chegar à conclusão sobre um estado superior de consciência, Anil Seth reanalisou os dados que haviam sido coletados anteriormente por uma equipe do Imperial College de Londres e da Universidade de Cardiff, quando voluntários saudáveis receberam uma das três substâncias capazes de induzir a um estado psicodélico: psilocibina, cetamina e LSD.



Usando tecnologias de imagem cerebral, ressonância magnética funcional, foram medidos os minúsculos campos magnéticos produzidos no cérebro, mostrando que, em todas as três drogas, essa medida do nível consciente - a diversidade do sinal neural - é substancialmente maior.

Isto não significa que o estado psicodélico seja um estado "melhor" ou mais desejável de consciência, Anil reforça. O que os resultados mostram é que o estado psicodélico do cérebro é distinto e pode estar relacionado a outras mudanças globais no nível de consciência, embora em sentido oposto, como o sono ou a anestesia, por exemplo, que são considerados estados mais baixos de consciência.

O neurocientista afirma que mais pesquisas são necessárias, além do uso de modelos mais sofisticados e mais variados, porém ele e sua equipe se mostram muito entusiasmados com os resultados. Seth defende o aprofundamento dessa linha de pesquisas, uma vez que os estudos científicos têm-se concentrado até agora em estados menos elevados de consciência, como o sono, anestesia ou o chamado estado vegetativo.

O Imperial College de Londres tem sido pioneiro em diversos estudos neste campo, com resultados entusiasmantes. O professor David Nutt e os colegas Dr. Robin Carhart-Harris e Dr. David Erritzoe exploram o contexto e o potencial da recente “revolução psicodélica na psiquiatria” num documento que pode ser acessado aqui.

Seguindo no tema e trazendo mais pontos de vista e pesquisa científica, aqui no Brasil, um dos expoentes na pesquisa de estados ampliados de consciência é o Dr. Dráulio Araújo, doutor em Física Aplicada à Medicina e Biologia pela Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, em 2002, onde também obteve o título de livre docência e foi professor até 2009. Desde então, é professor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na área de Neurociências, com ênfase na utilização da imagem funcional por ressonância magnética e Eletrocenfalografia na avaliação das bases neurais dos estados alterados de consciência induzidos pelo psicodélico ayahuasca, bem como na exploração do seu potencial antidepressivo.

Neste vídeo, ele conduz uma sessão com Ayahuasca em seu laboratório durante um estudo controlado randomizado em pacientes com depressão resistente ao tratamento.



A mídia 'mainstream' começa a dar espaço e se interessar por estes temas, especialmente por sua inovação no tratamento de doenças mentais que, esperamos e torcemos muito, possa ser realmente efetivo. A história mostra que não fomos muito bem sucedidos nos tratamentos da depressão, por exemplo. O consumo de medicamentos é altíssimo e sustenta uma indústria sombria.

Nesta matéria da CNN Health, os professores Dráulio Araújo e Luiz Fernando Tófoli, outro importante nome brasileiro no estudo da ampliação de consciência, participam compartilhando casos e estudos significativos.



Num campo mais pessoal, recebi o relato de Marcelo Villaça, que foi meu cliente há muitos anos e hoje mora em San Francisco na California.

Na primeira edição d' O Psiconauta, tratamos sobre psicotecnologias, xamanismo e o estado de Flow e o Marcelo se animou a dividir comigo sua experiência com Ayahuasca, que seria o foco desta edição.

A ele, agradeço o depoimento e a coragem, inteireza e transparência de compartilhar um momento tão pessoal de transformação. Talvez, nesse mundo que vivemos hoje, seja exatamente do que todos precisamos.

San Francisco, Fevereiro 2022

Querido Cadu,

Obrigado pelo convite de escrever para o Projeto Flow e O Psiconauta. Guardo na memória a sua energia e criatividade, utilizada para mobilizar as pessoas e empresas na direção do bem, que constrói bons resultados. O Flow é mais uma contribuição neste sentido.

Em Agosto de 2021, recebi para um pernoite em nossa casa, um grupo que estava a caminho de Ukiah, cidade ao norte da Califórnia, para um fim de semana de cerimônias de Ayahuasca. O grupo era liderado pelo primo da minha esposa e um Xamã chamado Yuba. Ele, Christophe, já havia estado algumas vezes na Amazônia Brasileira e Peruana, participando de cerimônias equivalentes. Algumas vezes levando pessoas dos EUA/Europa, outras apenas buscando sua própria expansão da mente e do ser.

Minha esposa havia participado de uma cerimônia promovida por eles, na casa da família em San Diego, e delicadamente me incentivava a vivenciar esta experiência guiada e com propósito claro. Aqui talvez caiba uma breve retrospectiva de como chegamos aqui.

Medito há muitos anos, acompanhando com leitura e estudo, o Budismo. Aos poucos essa literatura e a progressão ou acúmulo dos efeitos da meditação, me despertaram o interesse pela psicologia e filosofia budista, que, por sua vez, me levou a ler mais sobre neurociência e psicologia na forma de como a cultura e métrica ocidental estuda e organiza o conhecimento.

Estava em curso uma busca pelo entendimento de como se forma aquilo o que eu penso ser e como este “eu” vê a vida e mundo ao redor.

Quem já passou esta barreira bem sabe que após os 50 anos, aumentam os questionamentos sobre o sentido de “tudo isso” em que se transforma a vida, e nada que uma depressão não ajude a tornar ainda mais relevante, a necessidade da busca por autoconhecimento. A combinação da curiosidade e o anseio pela “cura”, me levaram até o Naropa (https://www.naropa.edu/ ) em Boulder no Colorado e ao consumo da bibliografia do seu curso de mestrado em Psicoterapia e Psicotrópicos.

Abriu-se um novo universo de conhecimento, que para minha surpresa vinha se acumulando no ocidente já desde 1938, quando o LSD foi sintetizado em um laboratório da Suíça por Albert Hoffman. Suas propriedades psicodélicas foram identificadas cinco anos depois em 1943, por mero acaso, no dia 19 de Abril, que ficou conhecido como o ‘dia da bicicleta’: https://www.cienciapsicodelica.com.br/post/lsd-e-o-dia-da-bicicleta.

O ocidente aos poucos vinha “descobrindo”, com seu método científico, o que no oriente já era conhecido de forma prática e intuitiva há milênios. Hoje são vários os documentos e estudos de universidades de primeira linha nos EUA e Inglaterra principalmente, que descrevem a similaridade, complementariedade dos efeitos benéficos da meditação e por exemplo da Psilocibina (https://pt.wikipedia.org/wiki/Psilocibina).

De volta ao começo da história, Agosto de 2021, recebendo o grupo que facilitaria a cerimônia da Ayahuasca. Ainda estávamos na garagem, descarregando as malas após as apresentações e me “bateu” uma certeza acompanhada de profunda serenidade.

O olhar e energia do Yuba, me asseguraram de que era o momento para adquirir mais esta vivência. Ratifiquei imediatamente meu interesse, e no dia seguinte rumávamos para Ukiah, ao norte de San Francisco na Califórnia.

Poupo aqui os detalhes dos demais participantes do grupo e da simples, mas bela vinícola em que nos instalamos para as duas noites de cerimônia. De fato, o setting * e o estado de espírito, seu e do grupo, são fatores fundamentais para o resultado positivo da vivência. A presença de gente experiente que estava ali para nos apoiar, adicionou a tranquilidade necessária para que eu pudesse me entregar de fato a essa verdadeira “viagem” ao centro de mim mesmo.

Acolhidos por uma fogueira ao pé de um carvalho lindo, fomos brindados com uma música inspiradora. Uma combinação de instrumentos da Amazônia com outros do oriente, coroados com duas vozes e eventualmente o canto solo do Yuba. Indescritível.



Após a primeira de duas ou três doses, embarquei em uma sensação de muita paz e serenidade.

A natureza ao redor tinha vida própria e vinha saudar a todos, com cores, formas e movimentos que se somavam à música em um colorido único. A cor, o som, o cheiro, a temperatura amena, tinham gosto e todos os sentidos e mais um pouco se harmonizavam em uma sucessão de sensações e emoções positivas.

Tive um breve encontro com formas assustadoras que vieram de dentro de mim. Mas aos poucos contornei o medo da “bad trip” e deixei que elas se manifestassem sem que as julgasse ou qualificasse, até que elas foram sendo diluídas e absorvidas pelo amor que estava em tudo ao redor.

Neste momento me veio à mente minha esposa, sem imagem ou forma, mas com todos os meus sentidos me lembrando dela. Nada importava mais, do que de maneira incondicional, poder compartilhar desta jornada que é a vida ao lado dela.

Uma felicidade talvez comparável a pouquíssimos momentos vividos conscientemente, como quando nasceram nossos filhos. Filhos que em seguida chegaram mentalmente ao que eu estava vivendo. Meu filho mais novo, veio me abraçar e conversamos muito sobre a vida, sobre o quanto eu o admiro. Meu filho mais velho veio na forma de puro amor. Tocou uma música para mim e ficou nos fazendo companhia.

Em seguida meu avô paterno esteve próximo a nós, com um ar sereno e meu pai colocando a mão no meu ombro direito, interveio para que minha mãe estivesse próxima a nós. Formara-se o ambiente para eu ir me buscar... meditar sobre como eu havia formado esse “eu” e entender como consequentemente esse “eu” me faz ver a vida e o mundo.

Não há pílula mágica, como diz minha esposa, mas o evento trouxe ao meu consciente uma alternativa para buscar um caminho, e ver com outro prisma o que está dentro e fora de mim. Me abati com a vergonha pela percepção errada com que via a mim mesmo e como este “eu” distorcia minha visão da vida e o que de fato tem valor.

Foram provavelmente horas de tristeza, mas sempre ungidas por uma sensação de esperança e de amparo. O fim da madrugada foi acompanhado de muita música e aos poucos de muitos pássaros que se juntaram ao grupo. O Sol nasceu em meio a um clima de fraternidade entre os participantes. Todos conversavam sobre o que tinham vivenciado e ninguém parecia querer ir embora, apesar de termos passado a noite “acordados” em meio a um infinito de encontros.

A percepção do grupo era mais ou menos a mesma, de que havíamos vivido momentos de descoberta, de integração profunda com a natureza, tudo e todos ao redor, e acima de tudo de puro amor.

Não se engane, pois por mais que o resultado inicial seja positivo e que a “medicina” fique atuando em sua mente por muito tempo (dias ou semanas) após o evento, isso é apenas o início. Abre-se uma porta, cuja travessia pode parecer imediata, mas que na realidade é gradual. Requer uma combinação de esforço e atenção quanto a clareza e força de vontade em se confrontar, além de tempo, é claro.

Os sucessivos “insights” seguem acontecendo com o tempo que vai passando, na medida que seguimos com o mesmo propósito de estarmos conscientes das múltiplas combinações de conexões que carregamos fisicamente através das sinapses e ainda que de forma menos clara, entre estas e a mente. Desta forma, trazendo aos poucos para trabalharmos no consciente, um pedaço daquilo que inconscientemente determina o que sentimos, como pensamos e agimos.

Fomos para a segunda noite, carregados de expectativas, o que talvez tenha ‘bagunçado’ completamente o meu ambiente mental. Contrariamente à atitude da primeira noite, tive muita dificuldade em deixar minha mente seguir o rumo, aparentemente sem meu controle consciente. Perdi totalmente a ligação com tudo de bom. Voltei a expressão mais direta do turbilhão e confusão mental que já tinha experimentado nos últimos anos. Tudo de ruim ao mesmo tempo. Até que diante da incapacidade de contornar a situação, capitulei ao “eu” e passei a ver o que de negativo havia ao redor. O cheiro e barulho das pessoas vomitando, a confusão de vozes e minha ausência de diretriz.... senti uma falta de propósito que me fez simplesmente “abrir os olhos” e tentar contar as horas até que tudo aquilo acabasse.

No fim da madrugada, minha esposa chorava e eu resgatei um pouco de algo de positivo que eu pudesse emanar sem tocá-la ou me dirigir a ela, a fim de não comprometer a experiência que ela vivia.

Após o evento ela me contou que teve as visões mais lindas em uma experiência única e indescritível diante da limitação de sentido que as palavras têm para descrever o que ela vivera de tão bom. Entre as mensagens que ela recebeu, havia a de que ela tinha dentro dela tudo o que ela precisa e pode necessitar para fazer da passagem pela vida algo extremamente positivo.

Enquanto ela chorava, ela estava na verdade agradecendo a imensa benção que estava recebendo, em meio a uma experiência quase religiosa, cujos detalhes apesar de lindíssimos eu vou me abster de comentar aqui. Aquilo salvou minha segunda noite, por saber que outras pessoas,ela em especial, tinham vivenciado tamanha felicidade.

Ao amanhecer comentei com o Yuba o fracasso da minha segunda noite, mas que levava comigo uma sensação positiva e a noção de que havia uma porta de acesso a uma nova forma de explorar a mim mesmo.

Os dias e semanas que se seguem a estas seções são de fato, no mínimo, muito curiosos. Me senti muito bem, mais afinado cognitivamente no dia a dia, profissional inclusive. Criou-se uma abertura para perceber mais atentamente a mim mesmo. O que eu sentia e porque pensava. Pude aos poucos entender melhor o que motiva as pessoas quando tomam determinadas decisões, o que facilitou muito para que eu minimizasse meu julgamento e me mantivesse mais apto a aproveitar o que sempre há de positivo.

Parece que a literatura é menos abundante de registros de cunho científico (conceito ocidental) sobre o Ayahuasca. Há conhecimento sobre as moléculas que compõem a bebida, e como estas atuam no cérebro, mas por alguma razão, as pesquisas, inclusive com anuência e incentivo de órgãos reguladores como FDA nos EUA e seu equivalente no Canadá e Inglaterra, são mais fartas de registro e mensuração dos resultados, quando se tratam de outras substâncias como Psilocibina e LSD, cujos protocolos, para que se ministrem essas ‘medicinas”, são padronizados.

Facilitando a reprodução dos tratamentos e observação dos seus resultados, que apontam de forma unânime para a capacidade curadora de mazelas como ansiedade, depressão, vício, instabilidade mental nos casos de situações terminais de saúde.

Deixo para outra oportunidade, os detalhes das métricas de eficácia no uso destas substâncias para tratamento de distúrbios psicológicos. Mas fica o registro de que são potentes alternativas para tratamento destas mazelas, entre outras de mesmo fundamento psíquico, assim como para a prevenção de outros distúrbios (há alguns estudos sobre benefícios físicos...cognitivos...), além da contribuição para o autoconhecimento das pessoas que estão em “sua sã consciência”.

Marcelo Villaça Macedo Carvalho


GLOSSÁRIO N,N-Dimetiltriptamina (DMT ou N,N-DMT): É uma triptamina substituída que ocorre em muitas plantas e animais e que é tanto um derivado quanto um análogo estrutural da triptamina. É usado como droga psicodélica recreativa e preparado por várias culturas para fins rituais como enteógeno. Enteógeno (descrição mais adequada x Alucinógeno): Derivada de uma palavra grega em desuso (da mesma raiz de entusiasmo), neologismo vindo do inglês (entheogen ou entheogenic). O significado literal seria 'manifestação interior do divino'. Seu emprego é relativo à alteração da consciência quando da ingestão de certas substâncias encontradas na natureza (não confundir com alucinógenos). Certos animais fazem uso de plantas com poderes psicotrópicos. "Se for dentro de uma realidade religiosa, sagrada e tradicional a substância é considerada enteogénica. Se for num contexto recreativo e associado à moderna cultura pop ela é considerada psicodélica." (Wikipédia) *Set and Setting: Descreve o contexto para psicoativos e particularmente experiências com substâncias psicodélicas: o estado mental e do ambiente em que o usuário tem a experiência. Isto é especialmente relevante para psicodélicos ou experiências alucinogênicas. O termo foi criado por Norman Zinberg e tornou-se largamente aceito por pesquisadores em psicoterapia psicodélica. "Set" é o estado mental que a pessoa traz à experiência, como pensamentos, humor e expectativas. "Setting" é o ambiente físico e social. Redes de apoio social, têm se mostrado particularmente importantes no resultado da experiência psicodélica. Eles são capazes de controlar ou guiar o curso da experiência, ambos consciente e subconsciente. Estresse, medo ou um ambiente desagradável, pode resultar em uma experiência desagradável (bad trip). Por outro lado, uma pessoa relaxada e curiosa em um lugar aquecido, confortável e seguro é mais propensa a ter uma experiência agradável.

Publicado por Cadu Lemos Flow hacker - Autor, pesquisador e aconselhador em Desenvolvimento Humano e alta performance, Cultura Organizacional, espírito de equipe e liderança consciente - Fundador do Projeto Flow. Especialista em Eneagrama. Publicado • 7 m 25 artigos Já está disponível a nova edição da newsletter 'O Psiconauta', onde abordo os estudos científicos dos estados ampliados de consciência, específicamente da Ayahuasca. Depoimentos pessoais, video com sessão para combate à depressão, conduzida por Draulio Araujo, conclusões de estudos recentes por grandes instituições acadêmicas, matéria da CNN Health mostrando os avanços destes estudos no Brasil e no mundo. Tudo isso e mais informações sobre como as psicotecnologias ancestrais podem nos dar alternativas e novos caminhos para combater os males da saúde mental e emocional e porque não dizer, no momento em que nos encontramos como civilização, caminhos para construir uma nova forma de se olhar para a vida. Torço para que ainda haja tempo. hashtag#saúdemental hashtag#health hashtag#psiconauta hashtag#estadodeflow hashtag#projetoflow hashtag#cadulemos

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