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  • Foto do escritorCadu Lemos

#16/Medo e Esperança. Duas faces da mesma moeda.






Nossa realidade contemporânea, especialmente da virada do século para cá (internet, tecnologia escalando exponencialmente, pandemia, inteligência artificial, guerras continentais), aponta para momentos em que o medo nos paralisa e a esperança nos seduz com promessas de amanhãs melhores.


Porém,  há uma verdade incômoda que se esconde nas sombras de nossas mentes. 

A esperança, muitas vezes vista como a luz que nos guia através da escuridão, pode ser tão enganadora quanto o medo que nos aprisiona. Ambos são dois lados da mesma moeda, mecanismos de defesa que nos impedem de enfrentar a realidade tal como ela é.


O medo nos faz recuar, nos impede de agir e nos mantém presos em um ciclo de inércia. A esperança, por outro lado, nos faz adiar, nos consola com a ideia de um futuro onde as dificuldades de hoje não mais existirão. 

No entanto, ao fazer isso, ela mascara a inevitabilidade da vida, os altos e baixos que são essenciais à experiência humana.


Ao nos apegarmos ao medo e à esperança, negamos a nós mesmos a oportunidade de viver plenamente. Aceitar a vida em toda a sua complexidade, com seus triunfos e tragédias, é reconhecer que somos mais do que apenas um conjunto de experiências subjetivas dentro de um ‘aparato’ corpo e mente. 


Somos parte de um todo maior, uma tapeçaria de existência onde cada fio é tanto individual quanto coletivo, entrelaçado num desenho infinito.


Despertar para essa realidade significa ver além do 'eu' ilusório, compreender que não somos apenas sonâmbulos em um sonho, mas sim os sonhadores e o próprio sonho. 


Aqui, faço uma provocação a você leitor,  para viver de forma lúcida, para abraçar cada momento como parte integrante do todo, sem a necessidade de se esconder atrás do véu do medo ou da esperança. Se isso acontecer, só nesse momento, poderemos experimentar a vida em sua plenitude, livre das amarras que nos mantém adormecidos.





A jornada da vida é muitas vezes navegada com a bússola do medo e o mapa da esperança. Contudo, esses guias podem nos desviar do caminho da verdadeira consciência.


O medo, com suas garras frias, nos paralisa, nos agarra ao passado, a momentos que já se foram, mas que ainda ecoam difusos em nossos corações e mentes.



A esperança, com sua insidiosa e morna presença, nos promete um futuro brilhante, mas inatingível, sempre um passo além do nosso alcance.


Agora, imagine que esses dois instrumentos se entrelaçam, como se fossem um só objeto. A bússola e o mapa se fundem, e suas agulhas e linhas se confundem. Onde termina o medo e começa a esperança? São como fios de luz e sombra, entrelaçados em nossa jornada.

E talvez, no centro desse objeto, haja um ponto de não dualidade. Um ponto onde o medo e a esperança se dissolvem, e percebemos que ambos são apenas expressões da nossa mente. Como um sonho dentro de um sonho, onde as fronteiras se dissolvem e tudo é um só.

Nesse ponto, a bússola não aponta mais para o norte, e o mapa não mostra mais destinos. Existe apenas ser, existir, respirar. 


Nos libertarmos da prisão do medo e da esperança, pode ajudar a encontrar a verdadeira arte de viver no presente, de aceitar cada momento como ele é, sem julgamentos ou desejos.

Nesse estado de presença desperta,  realizamos que  a vida não é uma sequência de eventos a serem temidos ou desejados, mas sim uma tapeçaria rica e vibrante de experiências. Cada alegria e cada dor são igualmente valiosas e nos ensinam sobre a impermanência e a interconexão de todas as coisas.


Despertar para essa compreensão é perceber que não somos meros espectadores da vida, mas participantes ativos. Somos a consciência que observa, o silêncio entre os pensamentos, a paz que permanece quando as ilusões do medo e da esperança se dissipam. 


Nesse espaço de clareza, encontramos nossa verdadeira essência, livre das ilusões que nos mantém adormecidos. É aqui que a vida se desdobra em sua mais pura expressão, onde cada respiração deveria nos lembrar do milagre de estarmos vivos, aqui, agora neste espaço-tempo (que aliás, são apenas conceitos, mas isso fica para outro artigo).


Imagine que a vida como a conhecemos e vivemos, é um sonho tecido pela consciência absoluta. Neste sonho, cada ser é uma expressão única dessa consciência, embora a maioria das pessoas acreditem na ilusão da separação, se identificando exclusivamente com seus “aparatos” corpo e mente. São sonâmbulos, profundamente imersos na realidade fenomenal, esquecidos de sua verdadeira natureza.


Aqueles que 'despertam' no sonho reconhecem que estão sonhando. Eles veem que o corpo e a mente, assim como os pensamentos e emoções, são apenas aspectos do sonho, não a totalidade de quem eles são. Essa realização é o despertar para a não dualidade, a compreensão de que não há separação entre o sonhador e o sonho, entre o observador e o observado, entre o eu e o outro.


O desperto, aquele que teve o vislumbre da sua real natureza, vive com a sabedoria de que tudo é uma manifestação da consciência absoluta. A dor e a alegria, o ganho e a perda, a vida e a morte são todos expressões do sonho vivido pela consciência que nos abraça e nos anima como manifestações desse sonho.

E assim, navegamos por essa dualidade, com a bússola e o mapa em mãos, sabendo que, no final, ambos nos conduzem ao mesmo lugar: o agora, onde tudo se encontra e se desfaz.





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"Psiconauta" é uma palavra baseada em raízes gregas que se traduzem em “explorador da mente”. É uma mistura de "psico'', um prefixo usado para descrever processos mentais ou práticas como psicologia e termos como argonauta e astronauta, cujas “viagens e explorações dos mares e do espaço” evocam uma transcendência elevada ou espiritual. A ideia é mensalmente provocar, refletir e agir sobre temas da mente e espírito.

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