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que os programas de CRM ainda não deram certo
Para
responder a uma pergunta como esta, é preciso refletir
de forma mais ampla sobre a evolução do processo
de comunicação e relacionamento entre empresas
e clientes.
Outra pergunta instigante: Existe vida após a venda?
As políticas de remuneração de equipes
de venda eram (e em muitas empresas ainda são) favoráveis
aos caçadores e não aos fazendeiros. Explico:
Comissões e bônus aos detentores de maior quantidade
e volume de vendas versus o reconhecimento de departamentos
e indivíduos que tinham a responsabilidade de atender
ao cliente e principalmente, reverter processos negativos
redundantes de uma venda sob pressão, o famoso GA (goela
abaixo, muito comum aos gerentes de banco até hoje).
Este
processo, que ainda campeia em diversos nossos mercados, começa
a mudar na década de 80 com a chegada do famoso database
marketing.
Em
paralelo, as empresas de tecnologia lançavam e implementavam
aquilo que seria de fato uma grande mudança na questão
dos processos internos de qualquer empresa de grande porte:
O ERP.(Enterprise Resource Planning, ou um sistema muito sofisticado
que integra diversas áreas da empresa).
Na
esteira do ERP, quando este já dava sinais de esgotamento
e os grandes players de tecnologia buscavam alternativas para
novas frentes de negócio, surge então uma nova
sigla que traria velhos sentimentos de volta. O Customer Relationship
Management, que imediatamente foi adotado como a saída
honrosa para que se criassem novos mercados e se ampliassem
os já cativados clientes.
Até aí, tudo bem.
O
problema começa quando de forma equivocada e muitas
vezes oportunista, as empresas de tecnologia adotam o discurso
do CRM como produto/solução para o relacionamento
das empresas e o vendem como a única coisa que conhecem:
Um produto de tecnologia.
Nesse momento as águas se dividem e uma dúvida
crescente toma conta dos CIO`s e CTO`s. Será que isso
de fato vai valer a pena? Os homens de marketing se perguntam:
Isto realmente vai fidelizar meu cliente?
Esta
dúvida nos coloca de novo frente à pergunta
título deste artigo.
Vou comprar por que o concorrente comprou ou porque de fato
este produto (ainda visto como produto) vai me trazer vantagem
competitiva concreta?
Fato:
Até hoje, no mundo, não há um projeto
de CRM sequer completo, funcionando, implementado. O que existem
são algumas ações isoladas, uma busca
desesperada por integração de bases de dados
distintas (praga que assola 11 a cada 10 empresas no planeta)
e uma eterna (enquanto dure...) briga entre os homens de tecnologia
e de marketing. Até agora, o poder de decisão
favorece a turma dos bits e bytes.
Aí está, na minha opinião, o maior dos
problemas. NENHUM programa/projeto ou o que seja de CRM até
o momento foi liderado com o coração e a mente
do consumidor como guias. Os olhos do cliente como indicadores
do que ele valoriza. O foco DO cliente e não no cliente.
CRM,
ou Customer Relationship Management – Gerenciamento
do Relacionamento de Clientes é filosofia, é
política, é atitude e forma de encarar um ponto
crítico fundamental, até hoje ignorado pela
grande maioria: Não existe cliente fiel. Fidelidade
se compra ou se troca com pontos no programa de milhagem ou
no programa do supermercado.
O que se busca com a atitude do CRM é a lealdade do
cliente. É mostrar que não importa o canal que
ele escolha, a história dele é conhecida e respeitada
pela empresa.
Isto vai ajudar a um grande banco a parar de vender pelo callcenter
algo que já foi recusado no home banking ou mesmo na
mesa do gerente. Vai ajudar também uma empresa de cartão
de crédito a parar de tentar me vender um cartão
que já tenho há 10 anos.
Nada
disso vai fazer o menor sentido, se programas de CRM não
forem apoiados por uma visão e valores de empresa que
se coadunem com aqueles que o cliente também acredita.
Nada disso vai fazer sentido se não houver comprometimento
da direção e alta gerência. Nada disso
vai fazer sentido se não houver por parte de quem lida
diretamente com o cliente, a crença de que está
de verdade, contribuindo para uma relação saudável,
positiva, responsável e de confiança com o cliente.
Para fechar, uma frase pinçada de um site de CRM (são
tantos...) e que pontua o quanto ainda existe para ser explorado
neste negócio:
...CRM isn't about technology any more than hospitality
is about throwing a welcome mat on your front porch. (Algo
como dizer que o CRM está para a tecnologia como o
capacho de boas vindas está para hospitalidade...).
Sejamos mais fazendeiros e menos caçadores.
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