| O
futuro da internet é o passado
Atenção
empresas, empresários e executivos em geral: uma conspiração
está em curso. Uma conspiração velada
e silenciosa. Não se iludam, esta conspiração
vai atingir o seu mercado e a sua empresa. É só
uma questão de tempo.
Enquanto
você lê estas linhas, eles estão em contato,
se falando, se comunicando, preparando as próximas
ações, avaliando ações já
ocorridas.
Eles
pensam única e exclusivamente em si mesmos. Eles já
são milhões no mundo inteiro e muito, muito
mais do que você imagina aqui no Brasil. Quem são
eles e que conspiração é essa? A conspiração
do consumidor. Ela vem acontecendo diariamente num ambiente
aberto, democrático e mal interpretado: a Internet.
A
Internet tem indiscutivelmente um grande mérito. Resgatou
um hábito que nós, seres humanos, tínhamos
perdido há muito tempo: escrever e manter contato com
amigos, familiares, colegas e também com as empresas,
por que não?
Criaram-se
então estruturas de diversos tamanhos (e procedências...)
que tinham como principal objetivo ser o canal de contato
com o cliente. Entraram cena então os Sac´s ,Nac´s,
Pac´s e outros acs que tanto ouvimos falar.
Estas
estruturas foram criadas de forma legítima por algumas
empresas e como mera réplica por outras. Tanto é
assim que uma grande empresa americana, aqui no Brasil, apresenta
como SIC (Serviço de Informação ao Consumidor)
apenas uma caixa postal impressa na embalagem. Mas o pior
é que, quando você consegue falar com a empresa,
depois de ter sido exposto ao indefectível, morno e
mentiroso "por favor, não desligue, sua ligação
é muito importante para nós", o que se
ouve via de regra é um operador despreparado, neutro,
repetindo frases padrão que são lidas da tela
do computador (ou pior, quando se ouve o farfalhar das páginas
do manual de atendimento, virando às pressas, num desespero
legítimo para se encontrar a resposta e, acredite,
se livrar do cliente), objetivando transformar aquela ligação
em alguma coisa rápida, indolor e - com raras exceções
- inócua.
A
razão das coisas acontecerem assim é o fato
de que muitas empresas remuneram seus operadores por ligação
atendida. Quanto mais rápido ele atender, mais ganha.
Agora resolver o problema do cliente é outra coisa...
E
os tais programas de fidelização? Não
vou nem comentar. Daria material para um livro. Mas não
resisto e dou uma cutucada: você conhece alguma empresa
que não diga que o cliente vem em primeiro lugar? O
problema é que o único compromisso de verdade
que a maioria das empresas tem é com seus produtos
e serviços. Com suas metas de venda, suas pesquisas
de satisfação anuais.
Estou
convencido de que a questão da fidelização,
ou melhor, da lealdade, esta sim, verdadeira e ligada aos
valores da empresa, está restrita ao ambiente do próprio
consumidor e quando muito de algum funcionário realmente
capaz, motivado, bem treinado e que se identifique com o cliente.
A
Internet propicia esta interação de forma fantástica.
Antes era a caixa postal (pelo visto ainda é para alguns),
depois veio o Call Center e seus scripts quase decorados e
agora são diversos sites como o pioneiro epinions e
os brasileiros ivox, sakocheio, papagaio e outros, que fazem
com que o consumidor tenha voz.
Sites
que permitem que os clientes troquem idéias entre si
sobre experiências mágicas e trágicas
que tiveram com as empresas, são os veículos
deste movimento. Eles privilegiam as relações
e não somente as transações como a maioria
dos e-businesses por aí...
Este
processo é tão fundamental, que é o alicerce
desta conspiração. Milhões de consumidores
conectados, elogiando, comentando, sugerindo, protestando,
reclamando, ajudando, vivendo.
E
já que falamos de Internet lembre-se: Nós não
somos "pageviews", "pagehits", "eyeballs"
ou segmentos (como as empresas de pesquisa de mercado adoram
nos classificar). Somos seres humanos. Por isso, quando estiver
com um cliente do outro lado da tela, da linha ou do balcão
saiba que do outro lado pode até existir uma reclamação,
mas os consumidores por princípio estão totalmente
dispostos a encontrar a causa do problema junto com a empresa.
Mas
calma! O cenário não é tão cruel
assim. Afinal de contas, tenho certeza de que a sua empresa,
mesmo antes da existência da Internet, já tratava
seu cliente como sempre deveria ter tratado, ou seja, com
transparência, ética, respeito, cortesia, simpatia,
pontualidade, entre outras tão esquecidas características.
Isso
não vai te levar para o céu, mas com certeza
vai fazer com que nessa conspiração que avança
a cada minuto, você e sua empresa sejam poupados. Por
enquanto.
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